Pola estrada que vai por Esgos desde Ourense chega-se a um lugar chamado Casetas de Seoane, a carom de Vilarinho Frio. Lá trabalhei 17 horas por dia de camareiro. No interim conhecim a um meninho duns cinco ou seis anos, um cabucho cigano com umha inocência e umha grandeza que percebim em mui poucas pessoas. Nos olhos está a alma da gente. Partilhava o limpo olhar e o recto obrar com o seu irmao maior, criança tamém.
Quando um vê o mundo em que vive tem de chorar. E as sete da manhá chorei no meu quarto quando ninguém me via nem me sentia, porque os homes nom choram. Chamava-me “senhor” em educado vocativo. Eu nom quero ser senhor para ninguém, eu nem sequer quero ser eu. Talvez devera ter-lhe solicitado o seu nome, porém isso quiçais seria rachar com a idealizaçom dumha criança que terá que perder algum dia essa qualidade tam entranhável e entom, só entom, quando a candidez se esborralhe e apague dos seus olhos, tampouco el quererá ser el.
2 comentários:
Os homes nom choram mas deija que che conte umha coussa... Som essas bágoas que nunca botamos as que nos convertem verdadeiramente em homes, em seres humanos, as que rebelam a nossa verdadeira condiçom.
Sinto-me orgulhosso de conhecer a alguem que chora pola inocencia já condenada.
Umha aperta bem forte!
P.D. O outro día nom puidem aparecer por alí... mas já logo começa a Champions League ;)
Os homes o igual que calquer ser que ten sentimentos necesita chorar para liberarse dese falso papel protagonista e predominante nesta sociedade machista do somentemento e a exprotación. O home somete a muller, os donos dos medios de producción os empregados os donos da distribución os productores e así unha longa cadea de sometidos para que perdure a inxusticia social.
Enviar um comentário