Palavras novas e velhas
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
PARTICIPAÇOM SÓCIO-POLÍTICA DA MOCIDADE. O CASO ESTUDANTIL. A RESPOSTA DO NACIONALISMO GALEGO
É pola própria configuraçom do sistema universitário?
Bem é certo que a configuraçom do sistema universitário impele a inacçom, mas isto seria umha armadilha bem pequena para o estudantado em vendo a activaçom do mesmo durante o tardo-franquismo. Em minha opiniom as raízes do desleixo da mocidade para com a participaçom política passa em primeiro lugar polos próprios avantares históricos da Galiza, sem umha sociedade civil forte e, sobretodo, pola propaganda da passividade operada desde os poderes fácticos e os média do globalizaçom ultraliberal descendente, sem esquecer as formas de vida a ela associada.
Em primeiro lugar cumpre assinalar que a desactivaçom da sociedade civil, isso que Chomsky denomina a segunda super-potência – a da opiniom mundial –, forma parte do desmantelamento e enfraquecimento dos estados, quer dizer, as forças globais de mercado estám manipulando o enquadramento e os mecanismos institucionais disponíveis para a cooperaçom no plano global e local até tal ponto que nem os estados mais fortes som capazes de proteger interesses da maior parte das suas estruturas sociais, especialmente das mais vulneráveis coma os trabalhadores e o lumpem. Nom é por acaso que o Processo de Bolonha forme parte desta estrategia orientada à queda do welfare state no que concerne aos estados europeus.
Para outras partes do planeta o processo é ainda mais dramático e afunda no apartheid global, com situaçons como as do Haití, sustentado todo el noutra discriminaçom, a do apartheid nuclear.
O desinteresse geral pola política acentua-se igualmente pola uniformidade das filiaçons partidárias. As diferenças políticas em todo o Estado espanhol vírom-se minoradas nos últimos tempos dando-se-lhe preferência ao imperativo de integrar preferências globais de mercado independentemente da orientaçom política do governo em questom. Aqui insire-se perfeitamente o affaire das caixas galegas nisso que poderiamos denominar como a “fabricaçom de consenso ultraliberal”.
A uniformidade dos quadros políticos nom convida pois a umha involucraçom no sistema porque a capacidade decisória dos cidadaos reduze-se a votar cada quatro anos num cenário de política-mercadotécnia.
O mercado desregularizado é o que apreixa agora ao estado e a cidadania nom percebe pola esquerda umha força política capaz de transformar este estado de cousas, a contrário a política está a ser definida por umha cultura dominadora e tiránica que nom proporciona aos seus membros um sentido do seu valor próprio tornando-se, por ende, nom só materialista ao nível dos seus apetites mas tamém propícia e incentivadora de várias formas de patologia social – pola ausência dumha sociedade civil com referentes e orientaçons rupturistas pola esquerda – como a xenofobia, os ataques aos direitos reprodutivos da mulher, etc.
O crescimento de ultra-nacionalismos e neo-fascismos coma UPyD e a escassa contestaçom que os think tank, como as FAES, demonstram que sem a acumulaçom de forças necessária, sem formaçom nem sociedade civil as soluçons estruturais políticas apresentam-se como opressivas e no caso espanhol recentralizadoras.
Se a democracia se reduze a votar e calar caímos no “todos som iguais”, no aborrecimento e na indiferença. Rachar, pois, esse “consenso ultraliberal” das forças políticas é vital, polo que cumpre reedificar formas de participaçom a fim de evitar a atrofia sistémica da consciência cívica, vontade dessas “maos invisíveis” que movem os fios da geopolítica.
Por último, sublinhar que o estudantado deve ser um piar da sociedade civil, a alavanca da esquerda social e, portanto, é necessário pôr em marcha novos mecanismos para que a sua involucraçom seja efectiva, do contrário passaremos do estado-social dos cidadaos ao estado-penal dos súbditos.
Polas organizaçons do estudantado que nel operam?
A ausência de forças organizadas na sociedade, independentes dos partidos políticos, motiva que perante o aggiornamento das organizaçons do estudantado a desmobilizaçom seja massiva e nom se artelhe um movimento alternativo pola esquerda que force aos sindicatos a nom poder renegar ou passar por cima de desafios de calado, coma o Processo de Bolonha, umha reconversom industrial aplicada ao ensino sem apenas resposta desde uns Comités centrados em taxas e no mestrado, evitando a pataca quente que supom enfrontar-se a implantaçom deste processo desde o poder .
De facto, o papel dos Comités na desactivaçom e na desmobilizaçom do estudantado perante o processo de Bolonha nom se pode passar por alto, assi como a sua teórica virage após o 1 de Março, embora nom tenha ainda redundado em nengumha conseqüência prática nem tam sequer em desafios paralelos como a implantaçom do novo Máster de Secundária, baseada mais umha vez na impostura e na desorientaçom.
Este aggiornamento trai consigo nom poucas conseqüências de calado perante a ausência de espírito crítico e iniciativa política na mocidade:
a.- Temporais: a reactivaçom do estudantado fai-se mais complexa já que as mensages opostas a Bolonha e críticas, quando som feitas desde entidades minoritárias e mais ou menos marginais chegam com dificuldade ao estudantado ou chegam deformadas polos detentores do status quo. Mas é um arma de duplo gume, porque tampouco será doado para os Comités inçar a sua cada vez mais inane implantaçom real nas diversas faculdades do país.
b.- Metodológicas: a renúncia à pedagogia revolucionária e as etiquetas da esquerda clássica complica a apresentaçom e conformaçom de análises críticas coerentes e coesionadas e, por sua vez, dificulta que, de fazerem-se, haja realmente umha massa de receptores suficientes; quer dizer, que os discursos cambiantes e contraditórios, ou mesmo inexistentes, que caracterizárom a ausência de oposiçom e mobilizaçons serias contra Bolonha fam perder nom só a credibilidade dos Comités, seqüestrados polo BNG – governo através de Galiza Nova, mas a do movimento estudantil mais consciente em geral pola sua incapacidade para organizar alternativas e plantar-lhe cara aos desafios.
A espiral de ignoráncia acentua-se e exige dumha nova metodologia para recuperar os sinais identitários dos movimentos de esquerda enquanto se foca ao estudantado nom coma um conjunto amorfo, mas coma estratos diversos a que discursos e campanhas se tenhem de necessariamente adaptar para chegar a eles e ganhá-los, nom tanto como votantes dum partido ou simples aderentes dum sindicato, mas como células dumha sociedade civil em construçom que recupere o estado para a cidadania e a universidade para o estudantado e para a Galiza.
Por fim, devemos ter claro que sem contra-discurso rigoroso, sem a esculca ajeitada, os agentes que deveriam apoiar-nos passarám a alinhar-se com o discurso oficial que umha e outra vez lhe é transmitido desde os média.
Como analisar a realidade estudantil?
Na universidade nem tam sequer chega a 1% o quantidade de alunos implicados em organizaçons estudantis permanentemente. A análise desta realidade nom é singela, mas podemos enumerar alguns sintomas que cumpriria complementar com aquelas noçons, ou chaves de interpretaçom teórica, que enumerei na anterior palestra centrada na mocidade (noçom de redes e a noçom do horizonte de expectativas).
A degradaçom dos interesses e valores comuns é um alvo do ultraliberalismo que se encaminha ao colapso estrutural, mas que age com impunidade perante a ausência de alternativas promissoras e viáveis. O narcisismo e a passividade em que se instala boa parte da sociedade é o espelho dum baleiro ideológico onde os gritos de desespero da mocidade se identificam através da proliferaçom de grupúsculos espanholistas e xenófobos, a militarizaçom da mocidade, o esquerdismo apenas estético, a adesom às drogas, bandas criminosas...
Para umha boa parte da mocidade do mundo nom hai razons para a própria vida, como para envolver-se na luita pola transformaçom da sociedade em nome desse outro mundo do que se fala nos foros da globalizaçom ascendente. O consumismo como valor supremo assenta-se no vazio e conduze para umha cultura em vias de fracasso e maniqueia, onde o individualismo, ora pessoal em relaçom a sociedade, ora grupal em relaçom a periferia, permite a ofensiva ultraliberal e o agravamento do apartheid global. Umha fugida cara adiante, cara ningures.
Som as organizaçons do estudantado próximas a essa realidade? Existem mais opçons desde a perspectiva nacionalista e de esquerdas para a auto-organizaçom do estudantado? Quê modelo seria o ajeitado?
Nom por reconfortante é doado estabelecer modelos nem verdades absolutas. Aqui é onde entro a falar da minha experiência como integrante da Assembleia de Filologia, umha dessas experiências que configura um dos “modelos” possíveis de organizaçom do estudantado e que serve, em minha opiniom, de alavanca para a participaçom política logo noutras entidades.
As assembleias de centro som umha tentativa de reactivaçom do estudantado baseada no horizontalismo e encaminhada para o mantemento de posiçons críticas e de esquerdas. Umha modesta alternativa aos sindicatos clássicos desde a que construir na medida do possível esse contra-discurso necessário hoje ausente na acçom sindical maioritariamente. No entanto, nem é umha missom doada nem está livre de fundas e variadas eivas que tentarei expor de seguido.
A assembleia nasce como umha corrente alternativa, na estrategia e no discurso, ao que ofereciam outros sindicatos, entre eles os Comités, com umha aposta pola horizontalidade e a participaçom e com vontade de estruturar-se em entidades maiores como umha Coordenadora de assembleias para a USC. Eis a sua potencialidade, mas tamém as suas debilidades.
A sua potencialidade para a criaçom de contra-discurso e para a acçom combativa passa por estar integrada, na sua maior parte, por militantes nacionalistas e polas camadas do estudantado mais consciente, mas isto de por si é tamém umha eiva porque nem sempre se soubo adaptar e modalizar o discurso para chegar a maiorias mais amplas. Isto trai consigo umha assembleia conformada por pessoas muito activas, mas tamém a escassa capacidade de atrair a novas incorporaçons que verdadeiramente se impliquem no dia-a-dia do projecto.
Contodo, na últimas eleiçons à Junta de Faculdade passamos por vez primeira a ser a primeira força em representaçom inclusive por cima dos Comités, que historicamente tinham em filologia um dos seus feudos. Deu-se até o paradoxo que integrantes activos dos Comités se passárom para a assembleia com um denominador comum: nom desejavam trabalhar e desenvolver campanhas alheias ao tempo que se recusava aceitar as suas próprias desde arriba.
Contodo, os problemas que apresenta esta iniciativa podem ser a sua sentencia de morte se nom hai capacidade para reconduzi-los, e tenho que dizer que provavelmente nom a haja. Um primeiro problema é que nom hai hábito de trabalhar em horizontalidade desde o diálogo e a transparência, quer dizer, sem tentar cooptar essas assembleias como simples instrumentos dum ou outro aparato político e, daquela, atraiçoando o seu espírito integrador e plural.
Um outro problema é que as estruturas verticais, dependentes dum aparato político, som, por natureza, mais perduráveis no tempo, porque os militantes dessa organizaçom asseguram a sua sobrevivência a longo prazo e a estrutura do partido-base oferece ferramentas excelentes desde as que agir e umha ressonáncia das suas vindicaçons teoricamente muito mais elevada.
As estruturas horizontais sem adscriçom som muito mais féveis, nom contam com esses meios engadidos e adelgaçam ou engordam os seus quadros com umha intermitência mais dilatada. Destarte, os confrontos entre as facçons no seu seio som teoricamente muito mais profundas ao responderem a visons muito afastadas dum mesmo problema. Na prática, quando menos em filologia, isto nom tem sido um atranco, como nom o deveria ser a pluralidade da frente a que pertenço, o BNG. De facto, na nossa assembleia nunca houvo umha votaçom, sempre se pacta umha postura que convença a todas e a todos.
Aliás, se num momento se rompe a cadeia e nom hai transmissom geracional a experiência acumulada dos quadros anteriores perde-se e cumpre voltar começar de 0 ou o artefacto fina sem mais. Entom, o modelo das assembleias, mal que vem, é um modelo em precário, enquanto nom haja maiorias estudantis que operem no seu seio com consciência do seu alcance e objectivos bem definidos.
No tocante, a estruturaçom em unidades maiores que lhe dariam coesom e força ao movimento, todas as tentativas se tenhem tornado impossíveis polas distintas famílias que luitavam pola hegemonia na mesma, assi como polo boicote dos sindicatos, que sempre olhárom com reticências este modelo por ficar afora do seu controlo. Um erro estratégico de Galiza Nova, mas vaia por diante que nom o é só desta organizaçom, como despois tentarei desenvolver.
A última tentativa de reunir umha Coordenadora com os restos das assembleias de centros que ainda ficam em Compostela (filologia e políticas principalmente) sofre contínuos atrancos que dilatam umha e outra vez a sua posta efectiva em marcha. Contodo, nom som atrancos distintos dos tira-puxas antes descritos, mas poderiam certificar a sua morte antes tam sequer de ter nascido.
Como fazer o movimento estudantil volte a ser um viveiro de votos e quadros para o BNG?
Aqui é onde entra, ao meu ver, a necessidade dumha mudança na táctica dos Comités, ou doutra nova organizaçom do estudantado da esquerda nacionalista, que permitiria reactivar o movimento estudantil através da horizontalidade e a pluralidade das assembleias de centro, sem menoscabo da implantaçom social dos Comités, a contrário. Explico-me.
Os Comités deveriam ser os primeiros em interessar-se polo sucesso dumha coordenadora de assembleias de centro. Ainda mantendo como é lógico a sua própria organizaçom e actividade, seria um espaço em que os membros dos Comités, a título individual e nom como sindicato, poderiam fornecer os seus pontos de vista e trabalhar com outras sensibilidades e visons num diálogo enriquecedor.
Destarte, possibilitaria que os Comités estiveram em permanente contacto com as vindicaçons do estudantado mais consciente e mesmo poderia ser a melhor ferramenta para incorporar a amplos sectores do estudantado e, por ende, um caladoiro de novos simpatizantes e integrantes, para além dum foro imensurável para a propagaçom desse necessário contra-discurso de que falava. O carácter rotatório das vozeiras e vozeiros das assembleias e a necessidade de retificaçom das propostas da coordenadora nas assembleias de centro poderiam evitar qualquer umha das tentativas de cooptaçom.
No entanto, e já remato, tenho que reconhecer que som céptico. Nom é para menos. A mercantilizaçom do ensino desenhada polo grande capital aterrou na Galiza sem oposiçom e as luitas do estudantado sérias som ecos dum afastado passado. A actuaçom de comparsa dos Comités neste processo tem sido determinante à hora de explicar este fenómeno, assi como a conjuntura política estatal com um PSOE no governo e nom com o PP como em reformas anteriores. Tampouco se percebe na direcçom do nacionalismo maioritário umha vontade de mudar o rumo e ser instrumento e nom clero do nacionalismo galego.
Muito me temo que esta análise e declaraçom de vontades nom seja mais do que um brinde-ao-sol. Polo bem, do estudantado, da Galiza e do próprio nacionalismo aguardo que nom seja assi. Obrigado.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Haiti, umha olhada alternativa da tragédia. Conspiranoia ou novas bases para o apartheid global?
“Só os pequenos secredos tenhem que ser protegidos.
Os grandes mantenhem-se ocultos pola incredulidade pública”, Marshall McCluhan
Despois da guerra do Iraque e doutras andainas, em que o Imperialismo tem maquilhado os seus alvos através da venda dum “truísmo humanitário”, nom é de estranhar que me fora forçoso tentar aproximar-me ao desastre a situaçom actual do país desde outras fontes. Nom hai nada original portanto neste artigo, apenas um exercício de cortar e pegar.
Manoel Santos manifestou que “mentres Haití chora, albíscanse demasiados intereses, como indicaba Klein, de quen ve nos desastres da xente oportunidades de negocio. Haití non precisa de máis ocupación milital, como propuxo Zapatero, senón unha verdadeira misión de solidariedade”. Nesse mesmo artigo lembrava-se-nos o declarado por Naomi Klein no programa Democracy Now! de Amy Goodman: “Devemos ter totalmente claro que esta tragédia – que é em parte natural e em parte nom – nom deve, baixo nengumha circunstancia, empregar-se para: um, endividar ainda mais ao Haiti, e dous, impulsar políticas corporativistas impopulares em favor das nossas empresas. Nom é umha teoria da conspiraçom. Figérom-no umha e outra vez”1.
Esta tragédia natural em princípio foi aproveitada como um negócio mais e os próprios bancos ocidentais cobravam comissons nas contas de ajuda apoiadas pola sociedade civil. Porém, desenvolvem-se outras teorias, quiçais conspiratórias em parte, quiçais nom, que acho que quando menos deveriam conhecer-se.
Aparecêrom algumhas suspeitas que mesmo chegam a assinalar que o terramoto que matou a quando menos 100.000 pessoas pudo ser provocado artificialmente por um programa de investigaçom da Força Aérea dos EUA. Todo parece ciência ficçom, mas alguém deveria aclarar até que ponto as suspeitas som infundadas e até onde certas.
Os argumentos que se apresentam som algumhas evidências físicas achegadas por espertos na matéria. Estes aduzem que foi um terramoto atípico já que as ondas nom destruírom as edificaçons, senom que chegárom em verticalmente por isso as edificaçons fôrom emplastadas. A estas suspeitas une-se o feito de que atitude das potências imperialistas, com EUA a frente, que aproveitárom a desgraça para actuar de pescadores em rio atoldado e invadir literalmente o país em nome do “truísmo humanitário”. Mike Mullen, chefe do Estado Maior Conjunto, declarou que “os EUA enviarám nos próximos dias novas dotaçons militares a Haiti, entre estas vários buques de guerra e helicópteros”, o que trai consigo que se multiplique a sua presença militar de 1.000 a 10.000 soldados em parte para evitar qualquer processo social que nom garanta a Ocidente o espólio do Haiti.
Como indicam alguns comentaristas críticos resulta suspeitosos que umha intervençom militar de mais de 10.000 efectivos poda planejar-se em quatro dias. De facto, em Outubro deste novo ano estava previsto que rematara a MINUSTAH (Missom da ONU para a Estabilizaçom do Haiti), após ter sido já adiado o seu cumprimento em numerosas ocasions. Como é previsível após o desastre já hai um bom motivo para ficar outra tempadinha mais numha zona dum valor estratégico elevadíssimo para controlar o seu “celeiro”, o continente americano.
Porém como é que pode ser possível criar umha tragédia? Michel Chussodovsky aponta as suas suspeitas para o HAARP. O HAARP (Progama de Investigaçom da Aurora Activa de Alta Freqüência) é um projecto para o desenvolvimento de “armas do clima”, armas de destruiçom maciça electromagnéticas. Tanto os EUA como a Rússia tenhem manifestado a sua capacidade de modificar o meio ambiente durante o passado século. John von Neumann, matemático estadounidense associado ao Departamento da Defesa , começou a sua investigaçom sobre a modificaçom do clima a finais da década de quarenta e previu “formas de guerra climática ainda nom imaginadas”.
A primeira acçom bélica onde se usárom reconhecidamente estas armas foi a do Vietname onde os EUA bombeárom nuvens desde 1967 (Projecto Papeie) com o galho de alongar a estaçom monzónica e bloquear rotas de subministro aos seguidores de Ho Chi Minh. O actual HAARP liga-se com a “Guerra das Galaxias” (Iniciativa de Defesa Estratégica) e tem capacidade para desde a atmosfera exterior desestabilizar sistemas agrícolas e ecológicos em todo o mundo. O Objectivo destas actuaçom é, coma sempre, desinteressada e truísta. As suas potencialidades (inundaçons, furacans, sequias e terramotos) som para combater o terrorismo e os inimigos da democracia.
O programa emprega antenas de alta potência que transmitem através de ondas de alta freqüência para lançar ingente energia à ionosfera (a capa superior da atmosfera). O programa até conta com um espaço em rede próprio www.haarp.alaska.edu , onde se recolhe que o HAARP pode empregar-se para “induzir um pequeno troco localizado na temperatura ionosférica para que podam estudar-se reacçons físicas mediante outros instrumentos ubicados em ou perto das instalaçons da HAARP. No entanto, documentos militares revelam que é algo mais ca um inocente programa de investigaçom científica e sobarda-a porque tem objectivos de “arma do clima” e controlo de comunicaçons e desestabilizaçom de radares, ou seja, a máquina Enigma do século XXI.
Funciona a partir do ataque à ionosfera com ondas de alta freqüência com a potência de 1GW, lançadas a partir dum complexo de antenas instaladas na Alasca. Algumhas fontes indicam que os EUA conseguírom já reproduzir artificialmente umha aurora boreal, mediante o emprego de energia que está presente afora do espaço terrestre e reconduzindo-a para gerar quedas no clima.
Estes “modestos” alvos som, contodo, atacados por figuras como Rosalie Bertell, presidenta do Instituto Internacional de Assuntos de Saúde Pública, já que o HAARP é “umha gigantesca estufa que pode causar importantes alteraçons na ionosfera,criando nom apenas buracos, mas tamém longas incisons na capa protectora que impede que a radiaçom letal bombardeie o planeta”. Segundo o físico Bernard Eastlund é “a maior estufa ionosférica jamais contruída”. Um informe na Duma Estatal Russa alerta tamém sobre os perigos do HAARP.
Segundo Roger Searle, professor de geofísica na Universidade de Dirham do Reino Unido o terramoto do Haiti foi trinta e cinco vezes mais potente que a bomba de Hiroshima e a sua energia é equivalente a explosom de meio milhom de toneladas de TNT. No entanto, este mesmo investigador aclara que a força deste terramoto é a centésima parte da que estourou no grande tsunami do Sul de Ásia.
Para os EUA a sua supremacia mundial já nom fica garantida no militar polo apartheid nuclear como na Guerra Fria porque no clube nuclear tenhem entrado já numerosos países. Agora a manipulaçom climática apresenta-se como a arma preventiva por excelência podendo-a dirigir contra os inimigos sem que tam sequer cheguem a decatar-se e arruinando o seu ecossistema e a sua agricultura, com o que se força a depender a regions inteiras da ajuda alimentar e dos graus importados desde Ocidente.
As patentes da HAARP pertencem a Raytheon Corporation [http://www.raytheon.com/ ] e o projecto iniciou-se em 1992 da mao de Advanced Power Technologis, Inc. (APTI) [http://www.aptinc.net/], subsidiária da Atlantic Richfield Corporation (ARCO). ARCO [http://www.britannica.com/EBchecked/topic/41234/Atlantic-Richfield-Company] vendou a APTI, incluindo as patentes do HAARP, a E-Systems INC em 1994 que foi a que desenvolveu um contrato com a CIA e o Departamento de Defesa dos EUA.. No entanto, logo adquiriu-na a Raytheon Corporation e a instalaçom de 132 transistores de alta freqüência foi encarregada a BAE Systems INC [http://www.baesystems.com/] sob um contrato com a Oficina de Investigaçom Naval de 2004.
Nom conhecemos, portanto, demasiado sobre o HAARP, mas parece demonstrado que quando menos existe e se dedica a manipulaçom do clima. Na resoluçom do 28 de Janeiro de 1999 sobre o meio ambiente, seguridade e política exterior (A4-0005/1999)2 o Parlamento europeu assinalava que o programa HAARP manipulava o meio com fins militares e, por ende, solicitava um convénio internacional que proibira o desenvolvimento desta tecnologias sem que chegar a ser nunca ratificado.
Um dos pioneiros na investigaçom sobre o Haarp foi Nick Begich. Segundo as suas pescudas as conexons entre as patentes reservadas e de carácter segredo do Governo e as das empresas relacionadas continham algumhas que faziam referência a “como fazer explossons de tipo nuclear sem radiaçom” e outros recursos da Guerra das Galaxias.
Destarte, os hipocampos do HAARP nom tenhem apenas capacidade para gerar devastaçom, mas tamém pode afectar a padrons da conduta humana. Nick Begich expujo no seu estudo Controling The human Mind, the Technologies of Political Control or Tools for Peak Performance. Todo parece um romance orwelliano, como reçava umha pintada em Ferrol estes dias “feliz 1984”. Segundo este investigador um dos objectivos manifestos do HAARP é o controlo da populaçom e a sua conduta, assi como a gestom do comportamento grupal, alterando individualmente a conduta, mediante o uso de hipocampos de freqüências de rádio: “In the close of disclosing the HAARP Program we touched on the potential implications of technologies wich could interfere with or override, the mind and counsciousness of people”.
Polo visto, mediante ressonáncias electromagnéticas e pulsos de rádio-freqüência é possível interactuar com condutas do ser humano provocando a subida dos ciclos cerebrais, gerando condutas impulsivas de irascibilidade, insatisfacçom, afresividade e, finalmente, perda do controlo sobre si próprio (sempre e quando haja as circunstáncias apropriadas)3.
Inquietante é tamém que sobre este projecto tenha escrito Zbiniew Brzenzinski4, assessor de seguridade de Jimmy Carter e agora ligado a Barack Obama. Segundo Brzenzinski o programa é necessário, já que malia os problemas que podia gerar o uso de tecnologias como a do HAARP era inevitável para a segurança mundial. Porém, como é que o Haiti ameaça aos EUA e a sua segurança? Evidentemente, o Haiti nom ameaça aos EUA, mas a sua posiçom geográfica no Caribe, no contexto dum celeiro onde hai maças podres como Venezuela, Cuba, Bolívia ou Equador fai de Haiti um teatro de operaçons estratégico imensurável e um bom alvo de experimentaçom num país com um estado fracassado e abandonado a sua sorte.
O 17 de Janeiro de 2010 um informe da Flota Russa do Norte informava que o terramoto que devastou Haiti foi o “resultado” dumha prova da Marinha usamericana por meio dumha das suas “armas de terramotos”. Para os russos a tecnologia empregada seria a de Pulso, Plasma e Sónico Electromagnético Tesla junto com “bombas de ondas de choque”. Segundo o informe russo o desenvolvimento desta tecnologia iria encaminhada a sua acçom sobre o Irám para pôr fim ao regime muçulmano, algo coincidente com o apoio a “Revoluçom Verde” dos EUA que reconheceu Hilari Clinton5.
Manuel Freytas tamém tem publicado um interessante artigo sobre a questom e a inclusom da “invasom humanitária” de Haiti num projecto geopolítico muito mais amplo6. Em conclusom, fica claro que o desastre humanitário foi aproveitado polo capitalismo como umha forma mais para a acumulaçom de ganhos importando-se pouco com a retórica humanitária que tanto se estila em Ocidente. Desconheço qual é o alcance do HAARP e das tecnologias militares e até onde as suspeitas e os estudos e artigos ao respeito. Em todo caso é bom reservar-nos o direito de duvidar do Imperialismo e estar atentes a novas informaçons ao respeito.
Para saber mais:
1http://www.altermundo.org/content/view/2952/1/
2http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+REPORT+A4-1999-0005+0+DOC+XML+V0//PT
3http://starviewer.wordpress.com/2009/10/28/el-proyecto-haarp-hipocampos-de-terafrecuencias-cambio-climatico-desastres-y-salud-humana/ Contém numerosas ligaçons a páginas ligadas com o HAARP.
4Mais informaçom sobre este escuro personage em:
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Nacionalismo, constitucionalismo e outras misérias da celtibéria
Nom som poucos os todólogos, esses que opinam como espertos sobre qualquer tema nos mass média e nom entendem realmente de nada – para além do que lhe ditam os poderes fácticos aos que servem–, que declaram com veemência que eles nom som “nacionalistas” que som “constitucionalistas”. Certamente, algum alienígena talvez poda acreditar que um produto social, como é um texto político-jurídico, é feito por homes-bons adscritos à naçom do universo e da fraternidade, sem comenências nacionais nem de classe. Mulheres e homes nobres, esterilizadas e pasteurizadas capazes de elaborar umha “carta magna” sem responder ao interesse nem a ideologia de nengum país. Constitucionalistas, já. O resto somos parvos ou que? Constitucionalismo feito em 1975, quando havia pouco que a espichara o marrao de tromboflebite. Com o exército tutelando que se cumprira a derradeira vontade do tirano “que todo quede atado y bien atado”, como reflecte o artigo oitavo, tam do gosto de Manuel Fraga Iribarne:
ARTÍCULO 8.- 1.- Las Fuerzas Armadas, constituidas por el Ejército de Tierra, la Armada y el Ejército del Aire, tienen como misión garantizar la soberanía e independencia de España, defender su integridad territorial y el ordenamiento constitucional[1].
Poderia pensar-se que este artigo responde apenas a defesa perante um ataque exterior mas semelha claro que, coma no 36, o inimigo, o estrangeiro, o anti-espanhol, nom vem de fora senom de dentro, ou seja, que como dizia Aznar “no andan en montañas muy remotas, ni en desiertos muy lejanos”:
ARTÍCULO 1.- 1.- España se constituye en un Estado social y democrático de derecho, que propugna como valores superiores de su ordenamiento jurídico la libertad, la justicia, la igualdad y el pluralismo político. 2.- La soberanía nacional reside en el pueblo español, del que emanan los poderes del Estado. 3.- La forma política del Estado español es la monarquía parlamentaria.
ARTÍCULO 2.- La Constitución se fundamenta en la indisoluble unidad de la nación española, patria común e indivisible de todos los españoles, y reconoce y garantiza el derecho a la autonomía de las nacionalidades y regiones que la integran y la solidaridad entre todas ellas.
ARTÍCULO 3.- 1.- El castellano es la lengua oficial del Estado. Todos los españoles tienen el deber de conocerla y el derecho de usarla. 2.- Las demás lenguas españolas serán también oficiales en las respectivas Comunidades Autónomas de acuerdo con sus estatutos. 3.- La riqueza de las distintas modalidades lingüísticas de España es un patrimonio cultural que será objecto de especial respecto y protección.
Dariam muito de que falar estes artigos, por nom mentar já outros que se incumprem sistematicamente e que respondêrom a conflituosidade operária daqueles anos, começando polo “pluralismo político” que passa por ser bem pequeno nesta II Restauraçom bourbónica por mor dumha alternáncia PSOE-PP, agora com um acicate ideológico e criador de “sentido comum reaccionário” chamado UPyD e que representa a melhor versom do neo-falangismo canhi. Um “pluralismo político” que é bom sempre que encaixe dentro dos interesses da burguesia e do capital espanhóis, que aceita o autonomismo tépido e “sam” de CiU ou do PNV, mas nom o da esquerda arredista: a anti-espanha.
A anti-espanha que justifica umha caça de bruxas e um estado de excepçom permanente em Euskal Herria contra a esquerda abertxale e um regime de incomunicaçom e dispersom de presos políticos denunciado por diversos organismos internacionais. A anti-espanha que justificou preencher os caminhos da nossa naçom de cadáveres, cadáveres das mulheres e dos homes que sustentavam o daquela incipiente tecido social da Galiza. Entom, coma hoje, o tecido social e as luitas da classe operária eram molestas para os interesses e objectivos da burguesia e de grandes capas sociais. A maior eiva daquel tempo foi precisamente isso a castraçom da sociedade: a inoculaçom da auto-xenreira no povo galego, o esborralhamento da imaginaçom e da nossa cultura nacional.
Noutras palavras, fazer-nos acreditar aos galegos que Galiza, que a naçom galega, é umha elucubraçom de radicais visionários, ou seja, que só existe Galicia, apêndice de Espanha. Esta condiçom de apêndice é perfeitamente visível quando analisamos o que o discurso central afirma sobre a nossa História e a nossa língua, os piares mais visíveis de qualquer naçom.
Comecemos pola língua. Castelao, que morreu longe da Galiza escapando das gadoupas da morte, defendia no seu Sempre em Galiza que o galego era umha língua internacional. Porém com o franquismo o paradigma da lingüística moveu-se no espanholismo canhi e hiperideológico de Menéndez Pidal, que defendia que o castelhano e Castela som um destino no universal que se remonta aos povos pré-romanos, enquanto o catalám, o eúskara e o astur-llionês som acidentes ou anedotas de uso doméstico, como accidente foi a “ocupaçom” árabe que durou 700 anos no que eles chamam “reconquista”. Vaites, vaites. Daquela, o galego é umha língua distinta do português que apenas serve para “andar por casa” e que se começou a escrever fai dous dias, como se a Idade Média jamais tivera existido. Daquela, o máximo traço identitário da Galiza nom passa de ser algo específico, mas quase pitoresco ou regional, negando-se-nos poder formar parte dumha língua internacional.
A reconstruçom do galego fixo-se dentro do paradigma da universidade franquista, do centro madrileno desde logo, com um esquema ideológico onde o limite som as fronteiras do indivisível Estado espanhol e a historia oficial de Espanha, em resumo: umha “fala de andar por casa” e dependente do espanhol que deve, portanto, escrever-se com a ortografia nacional espanhola: com a “ñ” como máximo símbolo da dependência, insígnia do Instituto Cervantes.
Sigamos agora pola história. Semelha que a catedral mais grande do románico e um dos grandes centros de perigrinaçom da cristandade se estabeleceu na periferia, dependendo do reino de Asturies primeiro e logo de Castela. Qualquer pessoa que estude com um mínimo de rigor a história de qualquer território irradiador de cultura, poder económico e poder político sabe que esse território é centro e nom periferia, é soberano e nom dependente.
Polo visto todos esses reis que falavam galego passam a ser “leoneses”, “cristaos”, “asturianos”... eufemismos de “castelhanos” para entender-nos. O que nas crónicas europeias e árabes aparece como Galiza traduze-se na historiografia oficial como Reino de Leom ou de Asturies, o que nom vai além de fabricar mitologia espanholista. No entanto, esta historiografia espanholista ataca com veemência os mitos da naçom galega e da historiografia na hipócrita defesa de que “todos los nacionalismos son mito y literatura”. Aqui entra a “desceltizaçom”, premissa básica de qualquer faculdade de história da universidade espanhola na Galiza.
Enquanto se agocha que em Tolosa estivo a capital do Reino visigodo, para eles já Espanha, afirma-se que na Gallaecia romana só existiam os “castrejos”. Nom se trata aqui de cair no celtismo decimonónico de Murguia ou de Vicetto, apenas de afirmar que essa cultura diversa, mas com traços comuns a que em toda a Europa se denomina celta, na Galiza se denomina castreja porque Ibéria já era como Espanha “una grande y libre”. Pola contra, nom se duvida da homogeneidade dos “íberos” que coabitárom com fenícios, gregos, mas nom se misturárom e defende-se sem base científica algumha que esses povoadores chegárom de África e conformárom umha cultura única e comum. O certo é que, como demostram as cidades-estado de Tartessos e outros territórios nom existiu tal unidade, eram povos diversos com um fundo cultural comum – o mesmo fundo cultural comum que se lhe nega a Galiza a respeito do resto do Ocidente europeu.
Tenhamos claro que a história de Vicetto e Murguia era umha construçom de identidade, umha afirmaçom da naçom galega sem base científica, como tampouco o tinha a história do liberalismo decimonónico espanhol, essa que da existência dum “Principado de Asturies” fabricou um reino em que enquadrar a molesta Galiza, essa historiografia que segue a ser a mesma de hoje ainda que com diferentes manhas: umha história apologética ao serviço do estado-naçom. Daquela, esses historiadores que tanto atacam os mitos da história galega e afirmam ser científicos som logo os máximos exponentes da fabricaçom de mitos que conheço.
Desde a Constituiçom de 1812, a “Pepa”, começa a configurar-se, embora com imperfecçons, retardos e contestaçons desde a periferia, a revoluçom democrático-burguesa espanhola que exige, mal que bem, a conformaçom dum estado-naçom. O Estado converte-se entom num tecido de estradas e de vias férreas, de escolas e jornais, de telégrafos e outros muitos poderes fácticos que som fórmulas de expasom ideológica. Simultaneamente, começa a advogar-se com renovados fôlegos pola promoçom do espanhol, com a intençom de fazer prevalecer a língua nacional, na linha de criar um Estado que seja já nacional e nom apenas nacionalitário – se bem no caso espanhol isto ainda nom se atingiu no século XXI, envolvendo na pesada massa dumha identidade comum toda umha naçom que fecha em si própria classes sociais e contém eventuais minorias tidas por estrangeiras, entre elas os galegos que vindicamos os nossos direitos nacionais, entre estes o exercício da livre determinaçom.
Estas som as misérias da celtibéria, do nacionalismo espanhol agora denominado constitucionalismo. Porém conviria nom esquecer que a colonizaçom é apenas um aspecto da dominaçom que o centro exerce, ou seja, que ainda que a Galiza nom esteja hoje em dia sob umha colonizaçom clássica segue submetida a um centro externo, política, cultural e economicamente falando. De facto, em qualquer processo colonizador, a acumulaçom de capital nom tarda em tecer novas ligaçons propriamente imperialistas, de que a banca e as bolsas, os mestres e os jornalistas, o clero e a burocracia autóctone som os agentes, muito mais discretos que a polícia e os exércitos. O pior é que as misérias da Galiza som as mesmas porque grande parte dos seus povoadores odeiam a sua cultura e a dos seus devanceiros, ou seja, pola ausência dumha classe dirigente autóctone. Nom hai umha burguesia galega, apenas burgueses espanhóis (nados ou nom na Galiza) radicados aqui ou de passo:
Os senhoritos, esses pailáns acomplexados que coidam que Madrid é umha grande metrópole simplesmente porque som ignorantes e desconhecem o mundo, e que se viajam levam, como os burrinhos, as orelheiras madrilenas postas. E por debaixo dos senhoritos estám ainda os senhoritinhos, que som os seus servidores. Gente que nom som amos, mas que querem servir os amos, o seu sol, e desprezam os vizinhos do país, “esos gallegos”. Essa tropa é o chanço mais baixo da pailanada, a sua ignoráncia e a sua auto-xenreira cai já na caricatura, som a caricatura choqueira dos seus amos, que já som umha caricatura.
(...) Que pensar da inteligência, cultura, maneiras dum alcaide que logo de escuitar o Rei falar em galego, de escuitar o Presidente estrangeiro dum organismo internacional dizer palavras nossas com cortesia impecável, nada mais sabe dizer palavras castelhanas? Pode ser que tenha vergonha de ser alcaide de Vigo, tam só, e suspire secretamente por ser alcaide de Burgos, Segóvia, Madrid, Guadalajara, Ayacucho, Guanajuato, Ávila... Pode ser isso, que nom esteja orgulhoso de ser alcaide da maior cidade galega.
Ou bem na sua cabeça só tem lugar para um idioma, e esse idioma tem que ser concretamente de todos os idiomas do mundo o castelhano. Pobre se viaja a Lisboa, Brasília, Londres, Paris..., ali a pobre gente sabe mui pouco castelhano. Pobre, e como pedirá de comer num restaurante? Por gestos, claro[2].
A estes senhoritos e senhoritinhos de caldo à merenda já vo-los apresentei noutra ocasiom: som os analfabetos e os hanalfabetos e entre os dous somem a Galiza na desilusom e matam a esperança dumha sociedade verdadeiramente nacional e livre, o que exige umha Galiza formada, conhecedora do seu passado e capaz de tracejar o horizonte colectivo do seu porvir. Essa Galiza será umha Galiza plural, porque existem tantos nacionalismos como pessoas, será umha Galiza fachendosa do seu passado e do seu presente e, já que logo, será umha Galiza celtista e regeneracionista; ibérica e europeia; dos galegos e do mundo. Galiza, célula de universalidade. Pobres dos paifocos de siso afumado e vontade sumida no circuito esperpéntico e chocalheiro do madrilenismo, esses mais lhes vale emigrar com Glória Lago, Feijoo e a máfia de Pescanova à frente. Dixem.
Outeiro, Santa Cruz de Viana, XVI séculos despois da constituiçom do Reino Suevo.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Mocidade e participaçom política. Estado da mocidade nacionalista organizada em Galiza Nova e algumhas chaves para a compreensom do divórcio entre moc
Nota bene: o presente texto é um desenvolvimento dalgumhas questons argüidas por mim na palestra E ti porque passas da política?, organizada pola Mocidade Socialista Galega (MSG) a quinta-feira, dez de Dezembro de 2009 na sala 4 da Faculdade de Medicina com motivo do centenário da licenciatura de Afonso Daniel Rodrigues Castelao.

Em linhas gerais é aplicável à mocidade nacionalista galega o que se lia no artigo “Compremetidos y sobradamente preparados” aparecido semanas atrás no jornal basco Gara com motivo da detençom de moças e moços da esquerda abertxale aos que só podo expressar-lhes desde aqui a minha solidariedade.
Estes detidos eram a ponta de lança das luitas sociais do seu entorno, a maioria cursárom estudos com normalidade e, para além da sua abnegada militáncia política, trabalhavam em diversas associaçons e movimentos sociais.
Estes detidos som os que nom agocham as suas ideias, espalhando-as ao falar freqüentemente de política e com 61'6% da mocidade abertxale integrada nalgumha associaçom, sendo os mais informados e os menos materialistas. Som, portando, os mais perigosos para qualquer sistema que propugne o individualismo e a desinformaçom como garantes da alienaçom.
Estes detidos na Galiza seriamos nós, os arredistas galegos, como fôrom os maiores artífices do tecido social em 1939, inundando as “cunetas” da nossa naçom.
A segunda questom que queria comentar entronca com a dúvida de se devemos desde o nacionalismo emancipador galego fazer umha revisom da situaçom da sociedade galega e nomeadamente da mocidade, assunto que hoje ocupa a nossa atençom como integrantes da organizaçom juvenil Galiza Nova. A resposta de cabeça é sempre, seja qual for o momento, um rotundo si, se queremos que as nossas acçons políticas se adaptem às necessidades da nossa naçom e aos desejos da esquerda social e transformadora da nossa naçom, a Galiza.
Dentro desta análise semelha enquadrar-se, em minha opiniom, o acto de hoje, que projecta no fundo que nom avondou o debate produzido na assembleia de Galiza Nova para reflexionar sobre a situaçom da mocidade. Quiçais seja assi porque a aplicaçom de cronómetros e maiorias-rodilho sobre o confronto e o debate de ideias convertem a elaboraçom duns textos teóricos em simples artifício retórico, sem conseqüências sobre a praxe política... e a cousa vem infelizmente de longe.
Caberia perguntar-se pola produtividade, aliás, deste debate se nom somos capazes de que isto seja um primeiro passo para a elaboraçom dum programa de acordos e mobilizaçons consensuadas, desde umha análise plural e no possível ecléctica para possibilitar uns acordos programáticos que preencham a Galiza Nova dum ar novo. A contrário pode nom passar de simples “auto-bombo” para as posiçons críticas com a direcçom que seguirá aplicando a frialdade aritmética para a implementaçom da acçom e a direcçom políticas da organizaçom.
Em todo caso, a orfandade e a desorientaçom da Galiza Nova actual necessita de actos de reflexom colectiva e urgente, orientados a toda a militáncia e ainda a simpatizantes e a outros colectivos arredistas e da esquerda social, canalizando-os desde as comarcas, para que exista umha verdadeira retroalimentaçom, premissa que exige horizontalidade e nom verticalidade. Umha horizontalidade que deveria situar-nos novamente numha posiçom de força entre a mocidade da Galiza para as vindouras eleiçons municipais.
Os bandaços políticos e a supeditaçom ao BNG-governo de Galiza Nova conduzírom a um divórcio mais ca evidente com grande parte da mocidade, enquanto desde o Olimpo se falava de projectos, projectos e mais projectos e mais projectos para o 2030... sem mobilizaçons contundentes contra a situaçom laboral da mocidade ou o Plano Bolonha, desilusionando à mocidade que acabou em parte escorando-se fora do BNG ou caindo na passividade imposta polo discurso da II Restauraçom bourbónica.
A terceira questom, já adiantada em parte na análise de GN vai encaminhada à configuraçom do sistema político actual, as organizaçons que nel operam e a necessária ruptura com el mediante alavancas horizontais, dinámicas e plurais.
A sociedade galega de hoje fica, na sua maior parte, instalada na desorientaçom e no vazio ideológico, a mercê da política-mercadotécnia e das campanhas goebbelsianas do binómio político-mediático da II Restauraçom bourbónica, sem capacidade nem referentes críticos para reagir.
O processo de convergência dos partidos políticos de corte tradicional acelerou umha espiral de ignoráncia, em que se deturpam cada vez mais os conteúdos para fazê-los assimiláveis, mediante a demagogia e a reiteraçom, para todas as classes sociais, que acabam votando (no caso dos trabalhadores) contra os seus próprios interesses, através da camuflage da perda de prestaçons públicas e liberdades, por meio dum discurso furibundamente individualista, da família nacional-católica e dum nacionalismo estatal ultramontano que pretende acochar a luita de classes valendo-se tamém de think thank como as FAES e ainda de associaçons cívicas orientadas contra o aborto e outros direitos colectivos, entre eles os lingüísticos – Galicia bilingüe-.
O arredismo galego é o único que está em condiçons de oferecer umha alternativa a esta perigosa direitizaçom de Europa. O nosso nacionalismo emancipador contrapom-se ao seu nacionalismo opressor e como expressava o Lenine na sua obra O direito dos povos à autodeterminaçom o nosso particular “povo russo” ibérico nunca será verdadeiramente livre enquanto continue oprimindo sujeitos colectivos de soberania como a Galiza, Asturies, Aragom, os Països Catalans ou Euskal Herria.
A missom é clara, o “todos os políticos som iguais” vai encaminhado a destruir a esperança, desmantelar a política real – a feita na base da sociedade civil, para implementar o “poliqueio” numha democracia apenas formal, que permita ao Imperialismo capitalista, na sua fasquia actual da globalizaçom descendente ultraliberal, atingir todos os seus alvos, ainda a custa do planeta.
Umha poliarquia, em fim, onde a elite económica transnacional dirige e os servos ratificam na democracia de votar e calar ou bem sofrem as conseqüências do “truísmo” ocidental. Este modelo permite que o centro absorva os recursos da periferia até situar o planeta nas postrimérias dumha Idade Média, como as que se dam no colapso das civilizaçons nucleadas por impérios ao longo da história, ou, ainda pior, radicará-nos a toda a humanidade no fim do viver e no início do sobreviver, situaçom que já padece grande parte da populaçom mundial.
De facto, 80% das riquezas e dos recursos naturais som usufructadas por 20% da populaçom. Agora que seica estám de moda os piratas podemos lembrar que a pesca desde 1950 passou de 18 a 100 milhons de toneladas métricas por ano e ¾ dos caladoiros estám esgotados ou em vias de esgotar-se. 50 % é já património de 2% da populaçom no maior genocídio da história com um milhom de vidas em jogo pola fame. A dicotomia é clara: “socialismo ou caos”.
A criaçom dumha esquerda real e transformadora com vontade hegemónica, antissistémica por definiçom e coerente com o seu horizonte revolucionário, exige superar as tentativas que tivo o BNG de converter-se numha força sistémica mais, ainda que local dentro do paradigma espanhol da II Restauraçom bourbónica, tentando absorver a um eleitorado historicamente refractário ao BNG e que, com certeza, o seguirá sendo se nom se mudam os horizontes de expectativas da sociedade.
Pola contra este modelo caught all afastou a esquerda social do BNG e o seguidismo e a supetitaçom de GN como o BNG-governo escorrentou definitivamente à maioria da mocidade galega da nossa organizaçom. É mais, no caso de GN é ainda mais grave do que para o BNG, já que mentres este se segue a ver, entre amplos sectores da populaçom – ainda que a cada passo mais constritos polas razons aduzidas, como um instrumento útil e umha força política genuinamente de esquerda; Galiza Nova semelha ferida pola endogamia, a falta de projecçom social e um distanciamento constatável até com a mocidade nacionalista ou quando menos favorável com o seu discurso. Enquanto isto ocorre, seguimos actuando com os mecanismo que a psicologia descreve de grupaloides, incapazes de partir desde análises internas e externas correctas que permitam voltar ser um referente juvenil.
Galiza Nova só servirá como instrumento de emancipaçom nacional e social se muda completamente o seu esquema de acçom para converter-se na voz das demandas reais da esquerda social e, como veículo desta, fazer convergir a cidadania em fluxos cada vez mais amplos da sociedade civil com consciência de classe, algo muito diferente a procurar apenas “nichos de voto”. Só desde a horizontalidade e a esquerda social podemos, como esquerda política, desenvolver a armadilha em que caia esganado, trepado e botado por terra o espanholismo no alvor dumha Galiza independente e socialista.
A quarta e última questom pretende achegar algumhas reflexons epistemológicas para a análise da situaçom da mocidade e o decisório elemento que a afasta, em minha opiniom, da política: a alienaçom implementada polos média da actual democracia formal.
O conceito do horizonte de expectativas (Erwartungshorizont) foi formulado por Jaus no marco da “Estética da Recepçom” como mecanismo para descrever as distintas concretizaçons dumha obra literária ao longo da sua história. Esta teoria desenvolve-se na década de sessenta com a sua efervescência política e bebe de Gadamer, Hurssel e Heidegger, concretizando-se na epistemologia de Karl Popper e na sociologia de Karl Mannhein.
À hora de analisar a desafeiçom da mocidade pola política nom podemos deixar de lado as novas formas de alienaçom que constringem o horizonte de espectativas vital da sociedade galega e ocidental em geral, pola uniformizaçom produzida pola globalizaçom ultraliberal descendente. Mannhein falava dos princípia média, leis mediante as que se estrutura o pensamento dumha sociedade num tempo e num lugar concretos, mas poderiamos aventurar que os “princípia média” passárom nas sociedades actuais a converter-se num ditado ou ditadura do “pensamento único” difundido polos “principais média”.
Entom, como esculcadores da realidade social, devemos identificar e ponderar sistematicamente estes fenómenos de alienaçom: a militarizaçom da mocidade, a penetraçom do discurso espanholista e neofascista, a desgaleguizaçom galopante, a falta de ética e valores políticos, a recrudescência do patriarcado, a cousificaçom do humano (feito fetiche e mercadoria através da propaganda e a publicidade), a desinformaçom generalizada – ausência de hábito leitor, falta de espírito crítico..., as formas de lazer e as drogas, a precarizaçom e a excessiva dependência do “colchom familiar”, a fabricaçom dumha sociedade-passiva, narcisista e escrava do consumismo como arma de perpetuaçom da II Restauraçom bourbónica... Em resumo, novas e velhas formas de violência sobre a mocidade.
Destarte, para o Mannhein umha sociedade inestável destrui o marco precedente de eventos sociais em que se baseava o comportamento anterior abrindo o horizonte de expectativas dessa colectividade. Em períodos de crise e revoluçom, mais ou menos acusada, dá-se no social o que Thomas Kuhn preconizara para o avanço científico, ainda de escassa fortuna para o paradigma das ciências sociais.
No entanto, a esquerda nom conseguiu penetrar no momento actual entre grandes capas da sociedade e ainda nem tam sequer entre capas permeáveis ao seu discurso, como a mocidade, entre outras cousas pola ausências dumha sistematizaçom e identificaçom desse horizonte de expectativas social, identificando as diferenças que se estabelecem entre classes sociais, ámbitos geográficos e de idade... Isto nom se resolve, naturalmente, com a simples estatística, porque do que se trata é de transformar esse horizonte de expectativas e nom apenas de interpretá-lo.
Porém, é igualmente certo que temos por diante umha boa oportunidade para incrementar a nossa base social já que as crises ideológicas nom som concorrentes sempre com as económicas, quer dizer, retrassam-se por vezes e devemos ser capazes de, com a nossa acçom e ética políticas, abrir umha revoluçom quando menos no horizonte de expectativas social da mocidade galega. Só assi poderemos caminhar para a hegemonia da esquerda arredista.
O conceito de redes da sócio-lingüística é igualmente adaptável e tamém muito interessante para o processo que cumpre consolidar com força na vindoura década e que permitirá o incremento da consciência ideológica e da nossa base social, para além dumha correlaçom de forças entre classes.
A implicaçom da mocidade nacionalista nas diversas associaçons e movimentos sociais é vital para apontalar com garantias a nossa base social hoje exígua para GN e ainda notável para o BNG, para assegurar a presença do nosso discurso no magma social. Isto exige antes de mais umha militáncia múltipla desde GN até associaçons vizinhais sem aparente conteúdo político, mas que fam política em redes densas e fechadas ao terem que enfrentar desafios colectivamente.
Devemos optar, em fim, por tecer e conscienciar redes abertas e dispersas. Abertas porque nom serám sempre próximas a nós, ou seja, nom estarám subalternadas e controladas pola elite-clero dumha formaçom política e, neste sentido, serám a base observante e a alavanca para a nossa esculca e análise da realidade, aliás de constituir-se no melhor garante de que as nossas acçons respondam efectivamente a demandas reais da esquerda social. Dispersas porque a a interacçom com todos os membros dessas redes nom será possível directamente como é em associaçons ou movimentos sociais mais restritos. Quer dizer, o papel da esquerda política nom é dar forma nem dirigir, mas coesionar o tecido social actual espalhando-o em círculos sociais cada vez mais amplos e rachando com a pechaçom e o distanciamento dumha GN que segue na sua bola de cristal sem conectar com o pulso do corpo juvenil.
Estas redes de base coesionadas polo arredismo galego deverám contar com a nossa presença para que exista umha retroalimentaçom mútua que dumha parte condicione a acçom institucional do partido político e da outra amplie cada vez mais estas redes de base ao serem vistas como efectivas ferramentas de participaçom cidadá. Estas deveriam ser apenas as células dumha autêntica democracia participativa, as células da revoluçom que permitirám a mudança do sistema actual com a que alguns sonhamos.
O arredismo galego deve caminhar desde o horizonte do socialismo emancipador sustentando-se na auto-gestom, a auto-organizaçom e para ser auto-centrado. Só assi, em minha opiniom, será possível alcançar essa “alba de glória” que lhe permita aos nossos descendentes caminhar “desde o Courel até Compostela por terras libertadas”. Viva Galiza ceive e socialista!
Compostela, no mês da figadeira de 2009.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Resumo e comentário as palestras de Carlos Taibo em Compostela: II Depoimento
A acusaçom a Marx de que no século XIX nom contara com os limites ecológicos serviu-lhes a alguns para tirar pola borda toda a sua obra, o que é certamente um despropósito. Cumpre revisar o que faga falta de Marx, sem cair na ínfima consideraçom do problema ecológico dalgumha esquerda ou na centralizaçom exclussiva deste problema dos verdes europeus, esquecendo que o responsável das agressons ambientais é o próprio capitalismo. Destarte, em Engels já hai anunciadas algumhas destas questons no seu artigo inconcluso "A transformaçom do home em macaco polo trabalho".
Nengum projecto de depoimento é sensato se nom contribui a umha resdistribuiçom radical da riqueça, criando coesom social. Aliás, o crescimento económico nom provoca, necessariamente, coesom social, com tam bem se vê na China e traduze-se no esgotamento de recursos escassos para geraçons vindouras e em violaçons ambientais irreversíveis. Para além disso, cria-se umha mentalidade em que o único importante é trabalhar muitas horas e ganhar muitos quartos para consumir com voracidade.
O gasto por habitante sanitário nos EUA é de 5274 dólares por indivíduo e ano, enquanto em Cuba é de 236 dólares, numha relaçom 20 a 1, colocando ao primeiro no posto 72 mundial e ao sistema sanitário cubano no 36. A alimentaçom e as deficiências no transporte cubanas som grande parte da explicaçom a este enigma para a economia convencional. Aliás, e a pesar de ter medrado a renda per cápita nos EUA desde a II Grande Guerra, o ianqui meio é cada vez menos feliz polo geral, inçando-se as enfermidades e os transtornos psicológicos. A disposiçom de recursos tem a ver com a felicidade nons chanços inferiores do desenvolvimento, mas o hiperconsumo refere antes umha situaçom de vazio e infelicidade geral ca da felicidade geralizada.
O Protocolo de Kioto é um parche que adia em bem pouco o desastre, o necessário é apostar polo depoimento e a mudança do sistema. A pegada ecológica mede a superfície planetária necessária para manter o cenário actual, tendo ultrapassado já a capacidade do planeta e, portanto, privando de recursos às geraçons vindouras. Quanto transcrevo as imprensons sobre esta palestra saia um artigo em que se afirma que a pegada ecológica do Estado espanhol necessita de quatro planetas coma o nosso para manter o nosso nível de vida. [consultar artigo aqui].
A defesa do depoimento passa pola reduçom do consumo e a produçom dumha maneira drástica, muito especialmente no mal chamado primeiro mundo e, portanto, exige umha mudança radical das nossas sociedades: lazer criativo face a lazer alienante; repartiçom do trabalho; a reduçom de muitas administraçons e do transporte; democracia directa e autogestom, a supremácia portanto do local sobre o universal em base a um novo contrato social mundial; a primácia da sociedade civil sobre as dinámicas do mercado...
Hai que revisar a consideraçom eurocéntrica das sociedades tradicionais como "atrasadas" (o exemplo dos missionários -vid. vídeos adjuntos a esta entrada). Laotouche é o principal pensador do depoimento, ideia surgida da sua experiência na África, onde sociedades pobres artelhárom medidas colectivas de ajuda mútua impensáveis no individualismo "opulento" europeu.
Determinados elementos do crescimento europeu poderiam servir bem para o desenvolvimento dum depoimento económico. Hai que reduzir drasticamente ou fechar sectores económicos inteiros: militar, publicidade e propaganda, aviaçom, automóveis... Que fazemos com esses parados? Incentivar sectores relacionados com o bem-estar e o meio ambiente e advogar pola divisom do trabalho. Conseqüência os que ganham mais, ganharám menos; teremos mais tempo livre e finalizará o consumo voraz e seremos mais felizes.
De nom fazê-lo decresceremos à toa e nas cinças do capitalismo. O depoimento é anticapitalista, antipatriarcal e libertário por definiçom, apostando pola autogestom. Todo isto é assi porque as poderosas empresas privadas nom cederám rem e, daquela, o ataque a elas é mui necessário.
Como grande panacea alternativa o capitalismo propom a tecnologia e mais concretamente a energia nuclear, que requeriria multiplicar quando menos por três as centrais atómicas actuais até 1300 no planeta. De fazer-se isto só haveria uránio para 15 ou 17 anos e que fazemos com os resíduos e o custo de produçom ainda subvencionado com fundos públicos? A tecnologia da fusom nuclear em que alguns acreditam requeriria polo menos mais de 70 anos de investigaçom... temos tanto tempo? Para a relaçom entre depoimento e tecnologia podemos apor a metáfora do pater familias diligens, ou seja, que podamos dominar a Lei da Gravidade graças a tecnologia nom convida a fazer edifícios sem escadas nem montacargas. É indespensável gerar mais energia renovável e menos consumo.
A crise de 1929 tem similitudes com a que padecemos em 2009. O ascenso do fascismo naquela crise financeira nom é alheia a esta crise, que som realmente crises: mudança climática, encarecimento de matérias primas, sobre-populaçom, expólio de recursos materiais e humanos dos países pobres... Como responde o poder a isto? Resgates ultraliberais para a grande banca enquanto se recurtam prestaçons sociais; refundaçons apenas nominais do capitalismo, como a proposta de Sarkozy; neokeynessianismo ou ultraliberalismo de rosto amável; ajudas ao automóvel para recuperar a indústria... quem andará polas estradas quando o litro do carburante custe a 5€?
Em Marx já podemos topar enunciado o depoimento, se bem é certo que nom tem a ver com o projecto geral que el tinha. Hai que perfilar para o futuro o horizonte que se abre par aos movimentos sociais e a esquerda real quando os cidadaos se fagam perguntas e a resposta esteja no discurso tradicional dos nomeados "radicais" polo oficialismo. Mas, abre-se tamém o horizonte do fascismo, do "darwinismo social militarizado" visível já em muitas políticas de George Bush, de Obama ou da UE e a sua política de emigraçom. O que fica às claras é que o depoimento ou é paulatino ou será anárquico e resultado final do Imperialismo, um grande caos geral a escala planetária.
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+ O rural: insire-se no eido da primácia local sobre o universo. O rural galego mantivo durante séculos unha convivência sustentável com o meio. A teoria do depoimento é ainda geral e deve concretar-se, por exemplo, mas políticas de género, no rural e na urbe, imigrantes, ámbito sindical, sanidade e educaçom. Isto é mui urgente para levá-lo à frente e no rural deve ter em conta o reparto da densidade da populaçom e a propriedade da terra, o que exige umha rede boa de transporte público e nom um AVE.
+ Público / privado (propriedade): nom vale defender o público se está ao serviço do privado. No rural hai que manter e trabalhar a propriedade social - nom estatalizar como o modelo soviético- e desartelhar todas as estruturas tipo Coren.
+ A Galiza padece um neocolonialismo, mas temos que decrescer igualmente já que os recursos expoliam-se desde a periferia para o centro, mas, afinal, consumem-se igual.
+ Cuba é o país do planeta com menor pegada ecológica, o que nom tapa desastres ambientais como o monocultivo importado da URSS e que hoje estám superando ainda. Tampouco a pegada ecológica deve ser o único critério à hora de avaliar e analisar a fasquia e a satisfacçom dumha sociedade.
+ Melhor ca falar de alterglobalizaçom deveriamos falar de antiglobalizaçom, ou matizando-o mais, antiglobalizaçom descendente, ou seja advogar por umha globalizaçom ascendente, socialista, com a primácia do local sobre o universal.
+ Palestra sobre o depoimento em Irunha, Fevereiro 2009.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Resumo e comentário as palestras de Carlos Taibo em Compostela: I Tchetchênia
O conceito "conflitos esquecidos" foi criado hai umha série de anos, mas trai consigo um problema que é a ideia de que hai conflitos que nom esquecemos quando sabemos que nom é assi. Neste sentido, o Iraque ou a Palestina som tamém "conflitos esquecidos".

Entre nós o interesse polos conflitos diminue quanto mais cara o Leste e mais para o Sul estes se desenvolvam e, segundo o Carlos, o conflito da Bósnia - a 200 quilómetros da Tchetchênia- foi sentido mais próximo por nós do que a guerra civil tatchica numha ex-república soviética, que se estendeu até 1997 desde a sua independência em 25 de Dezembro de 1991. A dimensom Norte-Sul é ainda mais importante, já que conflitos como os do Congo, Uganda ou Darfur som dificilmente ubicáveis para a maioria dos europeus.
A versom russa afirma que desde 1998 a gerrilha tchetchena está finalizada, mas a guerrilha resiste ainda nas montanhas meridionais com força e assesta golpes nas chairas setentrionais. Contodo, a posiçom russa é mais cómoda do que fai quinze anos.
Desde fai anos o exército russo actua com impunidade, sem observadores internacionais, assassinando, seqüestrando e cometendo todo tipo de atropelos cuja maior gravidade é que ficam no silêncio e no esquecemento para o resto do mundo. A dinastia Kadirov desenvolve um programa pro-russo com umha constituiçom que só reconhece o russo como língua oficial - nom o tchetcheno-, baseando-se num "programa de normalizaçom" das autoridades russas e podendo votar nas eleiçons até as forças de ocupaçom o que dá fé do sentir maioritariamente independentista da populaçom tchtchena.
A autoridade russa desfixo-se dos elementos resistentes mais moderados, reforçando a opçom da luita armada para servir aos interesses autoritários de Putin primeiro e de Dmitri Medvedev agora. O grau de destruiçom alcançado na Tchetchenia só é comparável com o da cidade alemá de Dresden na II Grande Guerra (1939-1945) e após o conflito as 4/5 partes da populaçom local morrêrom ou exilárom-se.

A argumentaçom oficiosa russa é de cariz exclussivamente jurídico, já que em 1991 o parlamento da Tchetchênia declarara unilateralmente a independência e a constituiçom da URSS, e logo da Federaçom Russa, nom reconheciam o direito de autodeterminaçom e, portanto, o castigo e a ocupaçom atroz era legal e "legítima", puro "truísmo" imperialista.
Em 1922 a revoluçom blochevique esqueceu-se do direito de autodeterminaçom da Tchetcênia e logo Estáline acusou aos tchetchenos de colaboracionistas com os nazis, quando estes na verdade nunca lá chegárom. As fronteiras elaboradas por Estáline no Cáucaso fôrom bastante arbitrárias e sem contarem para nada com as etnias da regiom, governadas com mao-de-ferro e divididas quase como a África na Conferência de Berlim entre os anos 1922-1936. Quando cai a URSS as repúblicas reconhecidas como federadas atingírom a sua independência e cumprírom assi as suas demandas de autodeterminaçom, nom assi as restantes entidades sem esse reconhecimento. Porém isto é do ponto de vista das nacionalidades completamente arbitrário. Até 1957 a Carélia desfrutava do reconhecimento de república federada, "privilégio" que Nikita Kruchov lhe tirou, mais um exemplo da arbitrariedade do processo de autodeterminaçom no Leste.
O conflito político da Tchetchênia passa por cima do elemento jurídico com muito e em dous séculos os tchetchenos nom fôrom consultados em nengum referendo de autodeterminaçom. A Comunidade Internacional em 1995, durante a I Guerra russo-tchetchena, deu boa amostra dos seus hipócritas posicionamentos. O embaijador americano em Madrid de visita deixou entrever que nom iam atacar a posiçom russa por terem eles massacrado aos índios no XIX - esquecendo deliberadamente as atrozidades ianquis posteriores-.
Hoje os EUA melhorárom as suas capazidades de influência no Caúcaso, mas para nada lhes interessa um novo estado que nom podam controlar - diferença crucial com Kosovo- e dominado polo islamismo moderado ou radical. O interês americano é o mesmo que explicitava Kissinger para a guerra entre o Iraque e o Irám: "que os dous contendentes saiam derrotados".
Em 1999, meio ano despois dos bombardeios sobre a Sérvia, justificados polo ataque deste país aos albaneses de Kosovo, Javier Solana foi perguntado por quê nom se intervia a prol dos Direitos Humanos em Tchetchênia e respondeu evidenciando a sua nula perspicácia: a Rússia tinha cabeças nucleares e nom podia ser tratada como a Sérbia, aí remata o truísmo ocidental com umha mensage clara para os chefes de estado como os da Coreia do Norte, enquanto tenhades armas nucleares nom vos faremos rem, cometades as atrozidades que cometades.
Despois dos atentados de 2001 a situaçom ainda se agravau porque já nom só se olha para outro lado, mas anima-se ao presidente russo para que continue com a repressom e partilhe com os EUA a segunda guerra ao "terrorismo" (a primeira desatárom-na Reagan e Bush).
A Tchetchênia nom conta nem com cabeças nucleares nem com os recursos energéticos da Rússia, eis a balança da política exterior da UE, a que pouco lhe interessam os Direitos Humanos, como demonstram dia-a-dia com Israel e atacando estados indefensos na África, sempre que nom se preguem as directrizes assassinas do FMI.
Em determinados campos da esquerda, por sua vez, nom hai simpatia por Anna Politkovskaia, porque Rússia ainda se se segue vendo com umha baliça perante os EUA, mais um deve estar sempre onde a opresom é manifesta. A jornalista russa rejeitou abandonar o Estado para ganhar mais e salvar a vida, um exemplo de dignidade e de corage. Os seus artigos apareciam num jornal que aparecia apenas nas segundas e nas quintas, com escasso eco no conjunto do Estado russo e os seus livros eram dificilmente adquiríveis nas livrarias.
Um livro hipercrítico pode publicar-se na Rússia, nom hai censura prévia já que logo, mas margina-se e evita-se que chegue a amplas camadas da populaçom. O editor que acceda a publicar um destes livros pom em risco a sua vida a maos de forças paramilitares sob o controlo do Governo.
Em 2008 produze-se a crise de Ossétia do Sul dentro do Estado da Geórgia e que lhe custou ao Carlos Taibo deixar de colaborar em El País. A política interna russa é mui criticável, mas a externa vem dada em parte polas pressons e agressons americanas. A aparente agressividade russa em Ossétia do Sul era umha resposta a real agressom ianqui, segundo expressou por entom Taibo no "medio permanentemente entusiasta del Imperialismo" como tem descrito Henri Kamen ao jornal El País quando fala do mito espanholista dumha língua universal.
O discurso neoconservador americano de que o único que cumpre aniquilar é o "terrorismo" islamista organizado calhou tamém entre muitos, demasiados, sectores da nossa sociedade. Umha explicaçom mágica, chamada Al-Quaeda, que dá conta de todos os problemas sem parar-nos a pensar na fasquia de cada conflito: Palestina, Colômbia, Saara Ocidental, Somália, etc. Outra conseqüência perversa deste pensamento e que contra o "terrorismo" todo vale,(encubrindo como tem advertido Noam Chomsky o terrorismo de estado usamericano); e umha terceira conseqüência é o desenvolvimento dumha dupla moral com os poderosos e com os débeis, já nom apenas é umha dicotomia entre amigos e inimigos. Se os comandos tchetchenos som "terroristas" essa mesma etiqueta deveria preservar-se para as acóns do exército russo na Tchetchenia e bem sabemos que isto nom é assi, como tampouco o é no Afganistám. A quinta e derradeira conseqüência deste discurso neoconservador é a falta de responsabilidade do Ocidente nos maiores problemas do mundo, como se as acçons de expólio no mundo árabe e o apoio a governos impresentáveis nunca existiram.
Anna fixo todo o possível para entender o conflito da Tchetchênia e indicou quanto falta por fazer em solidariedade com os povos oprimidos. A concentraçom mais numerosa que se registou em Madrid só juntou a 300 pessoas assi que mesmamente nós diferenciamos entre conflitos de primeira e de segunda. Para além disto, do centenar de palestras que o Taibo tem impartido sobre a Tchetcênia 93 transcorrêrom em Euskal Herria, nos Països Catalans ou na Galiza, algo que de por si já nem sequer merecer ser comentado.
______________Bate-pafo___________
+ O governo de Barack Obama nom mudará rem na Tchetcênia, porque ao longo de dez meses apenas fixo nada salientável em política exterior. O Iraque segue nas mesmas e o Afeganistám está pior, nengumha mudança na Palestina e mais bases militares para a Colômbia, por nom falar das cárceres flotantes ianquis. A paralizassom do escudo anti-mísseis é para Taibo conjuntural e guarda relaçom com a crise. Os EUA som o império e o seu gasto militar erradicaria a fame no mundo, algo loge do programa de Obama que levava como medida no tocande às prevendas fiscais para "rendas baixas" a consideraçom de que estas eram até 40 milhons anuais.
+ Os tchetchenos som sunnies maioritariamente e tradicionalmente moderados oque se mantivo até meados da década de noventa. Desde 1996 vai irrumpindo o islam radical da mao das próprias autoridades russas, modelo pairido polos EUA em Afeganistám com os Talibáns e logo alimentado por Israel com os yihaidistas e Hamás. Portanto, a religiom parece que nom jogou o mesmo papel ca o desenvolvido na guerra de Jugoslávia.
+ Umha boa mostra da interligaçom entre língua e identidade dá-no-la Guillem de Fac, na década de 60 e 70, que foi um cantautor preto das Illes Balears, tendo as suas origes na Guinê espanhola. Achegou-se a um balcom dum bar e pediu um café em catalám ao que o chefe do bar respondeu: "menos mal, pensamos que você era preto".
+ Entre a primeira e a segunda guerra da Tchetcênia hai umha diferença substancial: o papel jogado polos mídia na Rússia. Na primeira guerra da Tchetchênia (1995) houvo pluralidade informativa e umha maioria reduzida do povo russo era contrário ao ataque imperialista do seu governo. Na segunda Putin tomou boa nota e controlou totalmente isto, atafegando a pluralidade e, já que logo, a abraiante maioria dos russos nom som conscientes do que acontece na Tchetcênia, polo que a cidadania nom pressiona ao governo imperialista russo. A ocupaçom em 2002 dum teatro por um comando tchetcheno de 5o integrantes resolveu-se com umha massacre de civis, mas a popularidade de Putin subiu. Nom aconteceu o mesmo em Beslám na escola tomada em que morrêrom muitos cativos, fazendo baixar a sua popularidade. Semelha que algo vai mudando, sobretodo, pola incidência da crise que os média nom podem agochar ao russo meio. Contodo, a contestaçom séria ao modelo ultraliberal russo dificilmente poderá vir desde pressons populares. Putin é por sua vez um refém dos oligarcas locais.
+ A visualizaçom do conflito de Tchetchênia é complicada nas nossas sociedades. Nom é doado artelhar um projecto nesta direcçom, e, de facto, a nossa solidariedade é bem fraca com o Iraque e, especialmente, com o Afeganistám.
+ O ultranacionalismo russo necessita manter aberto o conflito da Tchetchênia porque o seu projecto autoritário é dificilmente assimilável por grande parte da sua própria populaçom. As próprias autoridades russas colocárom bombas em território russo - agentes dos serviços secretos russos fôrom detidos em Ryazám- para liquidar a simpatia dos cidadaos russos com a autodeterminaçom da Tchetchênia, o elemento fundamental para que Putin poda desenvolver o seu projecto autoritário, até ganhar com maiorias tragicamente abraiantes (e manipulando as eleiçons em parte todo seja dito). Se continua com a estratégia e que teme ainda as reacçons da populaçom ao seu projecto.
+ O único que podemos fazer é apoiar aos grupos que resistem lá sob um brutal acoso policial e jogando-se a vida. Isto para além da pressom sobre os nossos governantes. Umha terceira possibilidade é regatar "conflitos esquecidos" como o da Tchetchênia.
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